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domingo, 2 de agosto de 2009

O fim de uma procura

(Essa eu tinha que registrar no blog, no Orkut, onde quer que fosse. Só eu tenho noção do quanto essa busca me deixou inquieto).

Ontem de madrugada, acordei no meio da noite, e não consegui voltar a dormir. Culpa de uma leve indigestão, adquirida no aniversário de uma tia (e tome feijoada!). Zapeando os canais, resolvi parar no Altas Horas, e ouvi esta música de Túlio Dek, "O que se leva da vida":



Precisei dos primeiros quinze segundos de música para apurar o ouvido e perceber que conhecia aqueles acordes de algum lugar. Aumentei o volume. Eu conhecia mesmo! Era de uma daquelas músicas que você sabe que já ouviu naqueles programas estilo "Segredos de Amor", voltando pra casa a bordo de um Rodoviária Circular I, gosta muito, mas não sabe de quem é.

Foi no site de Túlio Dek que tive uma das revelações musicais que mais me perturbavam o juízo: pra mim, é muito chato gostar a lot de uma música, mas ter que esperar o acaso para ouvi-la. Isso acabou. Com você, Tracy Chapman, cantando Fast Car, de 1988!:



Fica a dica: a melhor versão é essa aqui, acústica.

Letra aqui, tradução aqui.

Pra minha surpresa, Tracy Chapman é uma mulher. Já ganhou Grammy e tudo. Essa música que eu postei é muito bonita, mas a mais conhecida dela certamente é Baby Can I Hold You:



Curios@ em saber mais? Acesse a wikipédia e o site oficial de Tracy Chapman.

sábado, 1 de agosto de 2009

Entressafra

Hamilton, o vencedor do GP da Hungria: evolução silenciosa.
Foto: globoesporte.com

A Fórmula 1 está de férias até a terceira semana de agosto, quando retorna com o Grande Prêmio da Europa, disputado em Valência, Espanha. O último GP antes do recesso, o da Hungria, deixa algumas impressões que podem definir o campeonato:

- A evolução silenciosa da Mclaren atingiu seu apogeu em Hungaroring, com a vitória de Lewis Hamilton. No entanto, o que a equipe conseguir de vantagens nessa temporada se deverá muito ao talento do piloto inglês, pois Heikki Kovalainen nem de longe acompanha o desempenho de Lewis.

- Por falar em evolução silenciosa, Nico Rosberg tem carregado a Williams nas costas em 2009: com atuações que o afastam do rótulo de "Príncipe da Sexta-Feira", ele já é o quarto colocado no campeonato, atrás apenas de Brawns e RBRs. Méritos somente dele.

- A Ferrari também ressuscitou. Apesar do acidente, Felipe Massa vinha num ritmo forte de treinos, que poderia se refletir em uma boa corrida. Kimi Raikkonen fez sua performance mais agressiva na temporada 2009, e chegou em segundo. Se mantiver o ritmo, uma vitória do finlandês ainda este ano não será surpreendente.

- Brawn e RBR são mesmo as grandes forças da temporada. A escuderia britânica, porém, mostra sinais de desgaste, e mesmo os "novos pacotes aerodinâmicos" (mudanças sutis que são implantadas a cada corrida) não fazem frente à superioridade da equipe das bebidas energéticas. Jenson Button realmente precisou daquele ponto usurpado de Rubens Barrichello na Alemanha, e, caso não reaja, verá outro "piloto de meia-idade", Mark Webber, ganhar o campeonato.

- Na RBR, Mark Webber confirma que a regularidade ainda serve para lutar por um título mundial. Menos ousado do que seu companheiro de equipe, Sebastian Vettel, ele percebe a superioridade momentânea do carro que tem em mãos, e faz bom uso disso. Chegou em terceiro na Hungria, e reduziu para 18,5 pontos a diferença em relação a Button.

- A BMW-Sauber anunciou que vai sair da F-1 em 2010. Os resultados na pista, entretanto, já indicavam a queda surpreendente da equipe. Heidfeld deve ir para a geladeira, e Kubica, para uma escuderia menor.

- Outra que deve seguir o mesmo caminho é a Toyota. Desde que entrou na Fórmula 1, nunca conseguiu resultados de destaque, e sempre trouxe pilotos inexpressivos, como Alan Mcnish, Cristiano da Matta e Timo Glock (que já ganhou a GP2, mas não obteve êxito em duas tentativas na F1).

Valencia e Spa-Francorchamps, as duas provas seguintes, têm estilos diferentes de pilotagem: a primeira é circuito de rua, travada (e bastante enfadonha); a outra, coloca os pilotos no limite da velocidade, e é uma das preferidas dos competidores. Quem se sair bem nesses GPs fica com grandes chances de levar a taça de campeão, como bem lembrou Reginaldo Leme, da Globo. Dia 23 de agosto essas previsões começam a ser testadas. Aguarde!

P.S: Michael Schumacher está de volta às pistas.Podem dizer que ele não vai ter essa foooooorça toda, mas depois de mais um retorno admirável de Ronaldinho Fenômeno, eu não duvido de nada...


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Leões e Cordeiros

Mark Webber, vencedor do GP da Alemanha: o dia da caça.
Foto: F1 Around

Durante a era Schumacher, a Fórmula 1 deixou de ser um esporte para se transformar em acordo de compadres. O domínio absoluto da Ferrari fez das outras equipes, coadjuvantes, e o único capaz de bater o alemão era seu companheiro de equipe, Rubens Barrichello. Infelizmente, a escuderia italiana nunca deu essa chance a Rubinho. No Grande Prêmio da Alemanha de 2009, em Nürburgring, mudaram alguns elementos, mas a história se repetiu. Para o bem da categoria, ainda existe a RBR para reacender a disputa, a rivalidade tão necessária para qualquer esporte.

Mark Webber venceu a prova de maneira incontestável. O australiano - apelidado ao longo da carreira de "leão de treinos", porque só conseguia se dar bem na classificação para as corridas - demonstrou uma garra surpreendente na Alemanha. Defendeu a primeira posição com agressividade, jogando o carro para cima de Rubinho (Brawn GP), logo na largada - e por isso foi punido com um drive through.

Ainda assim, valeu-se de uma pilotagem sem erros, de um RBR em constante desenvolvimento e de uma boa estratégia de pit stops para reassumir a liderança, alcançando o lugar mais alto do pódio. Irretocável.

Falando em leões, outro que teve uma performance brilhante foi Nico Rosberg, da Williams. O "príncipe da sexta-feira" (chamado assim devido aos bons resultados nos treinos livres de algumas provas na temporada) ganhou 11 posições ao longo do GP, terminando em quarto lugar. Felipe Massa também teve um desempenho admirável, colocando a Ferrari em terceiro, o primeiro pódio dele no ano.

A Brawn GP reuniu elementos suficientes para representar a ruptura com o modelo covarde da Ferrari de se fazer uma estratégia. De equipe quase extinta, com pilotos à beira do esquecimento, a Brawn passou a ser favorita ao título, bem distante dos rivais. Mesmo com a grande vantagem de Jenson Button para Rubinho, ambos tinham carros em iguais condições de brigar pelo campeonato, e logo viraram exemplos de competência e superação.

Porém, a equipe inglesa preferiu repetir as práticas condenáveis da "fase de ouro" da Ferrari - não por acaso, Ross Brawn também era o chefe da equipe italiana: o lobo da vez é Button, que deixou de ser o projeto de campeão simpático, para falar mais do que correr. Valeu-se abertamente da tática de Rubinho durante o treino oficial de sábado - ele esperou para ver como seria o desempenho do brasileiro na terceira parte da classificação - e do "jogo de equipes" de Ross.

Chegou em sexto, com uma atuação bastante inferior às que tem apresentado na temporada. O inglês soma 67 pontos, 21 a mais que o vice-líder, Sebastian Vettel - o alemão, aliás, chegou em segundo, com uma atuação discretíssima. Mas há muito campeonato pela frente.

Cordeiro mesmo, só Rubinho, bem melhor que Jenson nesse final de semana: a cautela o impediu de sair da corrida logo na primeira curva; a Brawn, porém, tratou de colocá-lo onde achava devido, como fiel escudeiro. Um erro durante seu pit stop, os pneus que não atingiram a temperatura ideal, e a troca forjada de posições entre ele e Button terminaram de manchar a participação da equipe em Nürburgring. O brasileiro chegou em sétimo, e caiu para quarto no campeonato.

Um ponto faz toda a diferença ao fim de uma temporada: Räikkonen, em 2007, e Hamilton, em 2008, mostraram isso. O finlandês até foi ajudado por Felipe quando ganhou seu título, mas fez por merecer, assim como Hamilton. Não pegou bem para a Brawn.

A RBR pode não ser o novo padrão de F-1, nem Sebastian Vettel ou Mark Webber exemplos de pilotos humildes - Webber, aliás, já pensa grande. E nem é isso que se espera deles. O que se quer é ver uma disputa honesta, com ambos tendo chances de vencer, e de ofuscar o domínio de uma equipe só. O espectador agradece.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Street Fighters

Neo e Smith? Branca (Suzana Vieira) e Izabel (Cássia Kiss) em Por Amor? Goku e Freeza em Dragon Ball? Esqueça! O maior duelo dos últimos tempos da última semana se deu numa seara (expressão erudita que o blogueiro usa pra mostrar que é cult) incomum: no Supremo Tribunal Federal.

Quem acompanha o STF com frequência, que nem eu (trecho desnecessário pro blogueiro mostrar a versatilidade...aham), e até quem não segue o órgão máximo em termos de Poder Judiciário no Brasil, ficou INSHOK com o grande debate jurídico dos ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa.

Ih, perdeu? Cabelincolheu! Mas Traços Esparsos traz pra você, em mãos, um trecho da refrega (mais uma expressão totalmente desprovida de relevância prática, mas a ocasião permite que retiremos do baú coisas assim, não é verdade.).





Pesquisando esse vídeo, vi que a desavença entre os dois não é de hoje, ó só:



Eu sei que você cansou de ver vídeos. Mas aí eu tenho que fazer minha homenagem ao fato. Trilha sonora dos rounds:

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ih, choveu!

A chuva do instante de agora

Veio dotada de forças descomunais:

Com um sopro levou a árvore da vida

De um homem que não queria mais.

Pois é, pessoal, essas são algumas imagens dos estragos que a chuva causou ontem em Teresina. E eu, que estava na parada da UFPI? Ainda bem que peguei o ônibus - um dos últimos da noite - a tempo (sendo que ele passou umas 18:00). Mas não sem consequências (fiquei igual a um pinto molhado).

P.S: Legendas retiradas da primeira estrofe de uma poesia que eu fiz há tempos. Profética?

P.S.2: É, Tamiris, fez falta uma câmera. Essas aí não retrataram boa parte do aguaceiro que presenciamos.

P.S. 3: Foto 1: cidadeverde.com; Fotos 2, 3 e 4: 180graus.com

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Defeitos de fabricação

Vettel com o dedo cortado após o GP da China: o novo homem que corre sobre a chuva.
Foto: G1/ Getty Images

Pelo menos nos últimos dois anos, o Grande Prêmio da China tem marcado a Fórmula 1 como um dos mais enfadonhos. Em 2007, o abandono de Alonso e Hamilton, ambos da Mclaren - e lutando pelo título - foi o que houve de mais emocionante. Em 2008, as posições se mantiveram praticamente inalteradas, e quem assistiu pela televisão teve de fazer um grande esforço para não cochilar - no ocidente, por exemplo, a prova é exibida entre 2 e 4 horas da manhã. 2009 serviu para confirmar a tese de que o circuito não é mesmo uma grande atração.

A chuva serve para tornar as provas imprevisíveis e mais disputadas. Mas em excesso, pode ser um inconveniente. Por causa dela, as sete voltas iniciais contaram com a presença do safety car, frustrando a expectativa dos fãs que queriam curtir a apreensão da largada. Além disso, os pilotos se esforçaram bastante para não sair da pista escorregadia. Robert Kubica (BMW-Sauber), por exemplo, não conseguiu segurar o carro, provocando um acidente com Jarno Trulli, da Toyota.

Só o desempenho espetacular de Sebastian Vettel fez a corrida valer a pena. O alemão da RBR se mostrou impassível diante do aguaceiro, e guiou seu carro como se estivesse andando em pista seca. É a segunda vez que ele faz isso na breve carreira de 29 GPs - e a segunda vez em que vence.

O mais incrível é que até um piloto do nível de Rubens Barrichello - conhecido por ser um especialista na chuva - cometeu deslizes em asfalto molhado, mas Vettel pareceu nem se importar com esta adversidade. Nasce um novo homem que corre sobre a chuva, e a comparação com o brasileiro Ayrton Senna é inevitável.

Antes do julgamento de 14 de abril - em que a FIA deu parecer favorável ao uso de difusores nos carros da Fórmula 1 - algumas equipes, como Mclaren, Ferrari e BMW-Sauber, e pilotos como o bicampeão Fernando Alonso, reclamaram que a peça desigualava a competição, pois Brawn GP, Toyota e Williams estavam muito superiores ao restante das escuderias, graças ao equipamento. A RBR, que não usa difusor, além de ganhar com Vettel, ficou em segundo lugar com Mark Webber, fechando uma dobradinha histórica.

Jenson Button (Brawn) - que quase era tido como desempregado a poucos dias do início do campeonato - é o líder da competição, com 21 pontos, seis a mais que Rubinho, seu companheiro de equipe - e quase aposentado por alguns. Vettel, terceiro colocado da temporada, com 10 pontos - e ele deixou de ser promessa para figurar entre os grandes nomes do esporte - corre na RBR, antes intermediária, hoje grande na Fórmula 1.

Isso prova que, na atual fase da categoria, não é uma peça que define os rumos de tudo, e ser uma marca de peso já não ajuda tanto; é preciso esforço e competência para vencer.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Garotos, Interrompidos

Pilotos e equipes aguardando o reinício da prova: espetáculo pela metade.
Foto: G1


A chuva, a pouca luz e uma opção mercadológica inconveniente fizeram terminar precocemente uma das melhores corridas da Fórmula 1 de todos os tempos. Clareando: o horário escolhido para o Grande Prêmio da Malásia de 2009 (17h) favoreceu a redes de televisão de boa parte da Europa, mas também é o período no qual mais ocorrem chuvas em Sepang. Além disso, por ser fim de tarde, havia um grande risco de o GP terminar à noite, e o circuito não possui iluminação artificial.

Essa combinação poderia interferir no bom andamento da prova. E deu certo: com 33 voltas - e quase uma hora de paralisação - os comissários decidiram encerrar a segunda etapa do Campeonato 2009 de F-1.

Antes do fim, assistiu-se a um grandioso show: desde as excelentes largadas de Alonso (Renault), Barrichello (Brawn) e Rosberg (Williams) - este último assumiu a liderança já na primeira curva - passando pelo ziguezague do mesmo Alonso com Mark Webber (RBR), ambos alternando posições em uma disputa clássica, e fechando com uma nova ultrapassagem de Vettel (RBR) sobre a antes onipotente Mclaren de Hamilton (veja mini post a respeito).

Tivemos também o abandono instantâneo de Kovalainen (Mclaren), a quebra do apagado Kubica (BMW), e algumas derrapadas de pilotos reaprendendo a dirigir - entre eles o duas vezes mencionado Fernando Alonso, que, além de ter adoecido durante a semana, mostra algum desconforto com a nova estrutura dos carros.

Pouco depois da volta 18, a bela apresentação cedeu lugar à loteria: a previsão de chuva se confirmara. Os pilotos precisaram visitar os boxes com uma incômoda frequência, ora para colocar pneus de chuva forte - o que, no caso de Kimi Raikkönen, por exemplo, foi prejudicial - ora para usar pneus intermediários. O excesso de pit stops, no entanto, não se mostrou determinante para o resultado da prova; o momento de parar é que pesou.

Jenson Button (Brawn), o "vencedor" - nas condições em que a prova terminou - somou quatro paradas, contra apenas uma de Nick Heidfeld (BMW-Sauber), valendo dizer que Heidfeld foi exceção. Timo Glock (Toyota) ficou em terceiro, seguido por seu companheiro Jarno Trulli. Completando a pontuação: Barrichello, Webber, Hamilton e Rosberg.

Um detalhe curioso: como o GP terminou com menos de 75% do total de voltas - isso não ocorria desde 1991 - os pilotos receberam apenas metade dos pontos. Com isso, Button lidera o campeonato com duas vitórias e 15 pontos, tendo Rubinho na vice-liderança, com 10, Jarno Trulli (3°) com 8,5 , Timo Glock com 8, Nick Heidfeld e Fernando Alonso com 4, Rosberg com 3 e Sebastien Buemi (STR) com 2 pontos.

O GP da Malásia foi encerrado antes de apagarem as luzes. Mas deixou uma pequena mostra de quão surpreendente e disputada será a Temporada 2009 da Fórmula 1.

Deu Zebra

Maior Abandonado

Lewis Hamilton sofre as consequências de Ron Dennis ter saído da chefia da Mclaren. O carro está bastante inferior ao de 2008, há duas provas ele larga fora das 10 primeiras posições, e ainda recebe punições pelos deslizes cometidos. Como o "padrinho" faz falta...

De Malas Prontas?

Os atuais incidentes permitiram que setores da imprensa cogitassem a aposentadoria de Lewis. Uma "brincadeira" de 1° de abril colocava o piloto britânico na Brawn Mercedes. Talvez hoje ele queira que esse último fato vire verdade...

Marte Ataca?

Felipe Massa disse que "os carros da Brawn são de outro planeta". Pelo menos Toyota e Williams mostram que poem encarar a disputa com a equipe de Button e Barrichello. Estará a F-1 sendo invadida por alienígenas?

Fiel Escudeiro

Vale lembrar que, não por acaso, Brawn, Toyota e Williams são as três equipes acusadas de usar equipamento irregular - os tais difusores.

Interferências

Se o julgamento de Paris (dia 14 de abril) sobre o uso de difusores for favorável às três equipes mencionadas, é melhor Felipe Massa e a Ferrari perceberem que há pessoas vibrando em outras frequências na F-1. A escuderia italiana, ao subestimar os tempos da primeira rodada de classificações (Q1) para o GP da Malásia - fazendo Massa largar em 16° - parece acreditar que os resultados de 2008 permitem-na esnobar os rivais...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Quem vive de passado

Rubinho comemora a dobradinha com Button: começo novinho em folha.
No mundo dos esportes, é comum alguns competidores assistirem a vídeos de performances dos adversários, para estudarem posturas, estratégias, e adaptarem sua atuação com base na dos outros. No Grande Prêmio da Austrália - o primeiro da temporada 2009 de Fórmula 1 - os pilotos deram a impressão de ter assistido a si mesmos, em busca de inspiração - ou aprendizado.

Desde 2004, a Williams deixou de figurar entre as grandes equipes. A quinta colocação de Nico Rosberg na largada - ele, que desde sua estreia em 2006, é uma promessa não-vingada - atraiu mais uma vez os holofotes para a escuderia britânica. O alemão chegou em sexto, mas parece ter algo para mostrar ainda esse ano - a exemplo de 2008.

No século XXI - e bem antes dele - a Mclaren sempre figurou como uma das grandes forças da Fórmula 1. Surpreendentemente, o novo carro da equipe se mostra mal nascido. Ainda assim, não é um monstro sem jeito. Muito graças a Lewis Hamilton - e sua sorte aliada ao talento. O atual campeão, largando em 18°, provou que 2008 lhe serve de parâmetro: chegou em 4° lugar, e herdou a terceira posição de Jarno Trulli, punido.

Para a Ferrari, lembrar de 2008 serviu para dividir os pilotos: Kimi Raikkönen vencera na mesma Austrália, e Felipe Massa abandonara. Kimi queria resgatar os sucessos; Massa, esquecer o fracasso. Não deu: ambos deixaram de completar a corrida.

Robert Kubica marcou presença na F-1 graças à regularidade e aos bons resultados, não pelo arrojo. Quando decidiu ousar, escolheu o momento errado: a 3 voltas do fim da prova, em terceiro - e bem mais rápido que Sebastian Vettel, o segundo - Kubica tentou uma ultrapassagem de risco. Resultado: Vettel deixou o carro espalhar na curva, e os dois perderam a chance de começar bem na luta pelo título. Mas restam 16 provas.

Para Rubens Barrichello e Jenson Button - da estreante-não-tão-nova Brawn Mercedes - recorrer à história foi bastante proveitoso. Haja estatísticas: 2004, última melhor posição de largada de Rubinho, o mesmo segundo lugar; 1999, última vez em que o brasileiro teve nas mãos um carro branco bom o suficiente para dar espetáculos; 2006, única vitória de Button na F-1, no GP da Hungria.

A Brawn também ganhou com isso: 1954, última vez em que uma equipe estreante - e de motor Mercedes - fez a dobradinha em um GP. Vitória de Button, com Barrichello em segundo - mesmo com péssima largada e problemas ao longo da prova.

A Brown tem 18 pontos, 12 a mais que a Mclaren, a vice-líder. Resultados impensáveis para a F-1 de 2008. Mas, como dissemos, a temporada anterior serviu de parâmetro para alguns. Outros querem redesenhar a história da categoria com tintas diferentes.


domingo, 7 de dezembro de 2008

Nessa Terra de Gigantes...

Uns ganham títulos...bleargh!




Outros descem...


Outros levam uma sacolada...(Chora, Flamenguista, o sonho acabou! Libertadores, você dançou!)


Outros sonham...



E outros voltam pra ficar e arrebentar!!!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Eu não estava lá, mas eu vi

Sabe o que é a história se esfregar na sua cara e você deixar isso passar batido? Pois é. Estava eu conversando com uma colega de quitinete na segunda-feira quando olhei pro céu e vi esta imagem:

Tá, não foi bem esta imagem... mas deu pra entender o que eu quis dizer, né?
Foto: G1/AFP

Nem dei bola. "Ah, devem ser duas estrelinhas que tão mais brilhantes hoje". Aí, fui assistir ao Jornal da Globo, a Christiane Pelajo fala uma coisa tipo assim: "Hoje à noite aconteceu um evento histórico. A Lua se alinhou com Vênus e Júpiter. Pra ver isso de novo, só em 2052. É um evento raríssimo".

Aí eu: "Ah, tá, e ninguém me avisa pra eu ir buscar a câmera?".

Pros astrólogos, esse fenômeno significa que agora você vai retomar projetos antigos (oi, dj não é só apertar play?).


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Felicidade Instantânea

O sorriso amarelo de Felipe comemorando a vitória: tudo passa.
Foto: G1/AFP

A temporada 2008 de Fórmula 1, mesmo para quem não acompanhou os áureos tempos de Alain Prost, Ayrton Senna e outros, já pode ser considerada uma das mais emocionantes de todos os tempos. Repleta de corridas emocionantes e imprevisíveis. Seu último ato só podia ser como se descreveu: espetacular.

Interlagos teve de tudo: chuva, rodada, pista seca, pista molhada, briga pelo título. Felipe Massa fez a sua parte: largou na frente, fez uma corrida impecável, venceu. O dever estava cumprido. Restava esperar os deslizes de Lewis Hamilton.

O inglês da McLaren, porém, se em 2007 pecou pelo excesso, esse ano se mostrou bastante cauteloso. Nada de sobressaltos, manobras arriscadas, disputas de posição. Como se guiasse em uma eterna última volta, sua performance foi na ponta dos dedos o tempo todo. Viu o título escapar, quando foi ultrapassado por Sebastian Vettel, da STR. Os fantasmas pareciam assombrá-lo novamente.

Porém, como antes dissemos, o piloto a cada dia se assemelhava a Michael Schumacher, inclusive na sorte. Depois de uma estratégia mal elaborada, Timo Glock, de pneus de pista seca em uma pista escorregadia, simplesmente desacelerou o carro a duas curvas do fim da prova. Lewis, que era o sexto colocado, passou o alemão da Toyota, e o título, que já estava nas mãos de Felipe e da torcida brasileira, subitamente retornou às mãos de Hamilton.

Felipe chorou ao saber do resultado. Essa atitude certamente teve um misto de sensação de dever cumprido, decepção e uma pontinha de mágoa. Mágoa com a equipe Ferrari, que, mesmo com a comédia de erros, provou que tinha um carro excelente, a ponto de ver um de seus pilotos brigar pelo título até a última curva do campeonato.

A temporada de emoções passageiras chegou ao final. Lewis foi campeão, mas não é nada além do homem a ser batido em 2009. É imprudência, diante dos talentos da nova geração, alçá-lo ao posto de fenômeno, de ícone. Ele é apenas mais um bom piloto, fabricado para correr.

Felipe Massa, se contar com uma Ferrari mais experiente - Stefano Domenicalli tem muito que aprender - pode figurar entre os que disputarão o título em 2009. Kimi Raikkonen, se voltar a ter pulso de comandar seu próprio carro, também entra nessa briga.

A BMW-Sauber ainda precisa de um piloto de real referência - Kubica ainda está longe disso - para convencer. E Alonso, a ameaça fantasma, mostrou que, mesmo em uma equipe irregular como a Renault - que ele ajudou a dar um salto de qualidade - ainda tem braço para assustar os adversários.



segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Em terra de cego...



O bom de um filme como "Ensaio Sobre a Cegueira" estrear no Piauí com um mês e meio de atraso em relação ao Brasil (sendo que, nesse caso, o Piauí NÃO é considerado Brasil) é que ele vem mais apurado, permitindo aos donos dos cinemas que preparem surpresas temáticas, condizentes com a produção cinematográfica. No meu ingresso, por exemplo, vinha escrito assim:

"ENSAIO SOBRE A SEGUEIRA"

Isso fez meu psicológico agir: fiquei com a audição mais apurada [demolidor mode on/] e você não imagina como pode ser angustiante a espera pelo início de um filme: o cara da frente range o pacote de salgadinhos enquanto se ajeita em sua poltrona; outro abre uma latinha de refrigerante, e o estalido do anel metálico contra o resto da lata ecoa pela sala de projeção.

Pior que isso, começam os sussurros: daquele cara, grande erudito, que leu o livro e diz esperar que a produção seja "fiel à obra"; dos produtores de cinema local, que fazem relatos de suas próximas investidas no campo da Sétima Arte; da menina-cult, que já nem espera que o filme seja tão fiel ao livro, mas que faça uma profunda (re)leitura da primorosa ficção de José Saramago.

Todas essas vozes e sons e sussurros silenciam: começa o filme. Aliás, um trailer. Do filme concorrente, Os Desafinados, que também estreou na sexta, dia 24 de outubro. Você fica naquela: será que eu devia ter ido ver esse?

Que nada. Ensaio Sobre a Cegueira valeu o ingresso bunitinho. Pra não dar uma de estraga-prazeres e contar todos os detalhes, deixo minha impressão sobre o filme através de um pensamento:

Amigo leitor,

Ensaio Sobre a Cegueira me fez pensar que a vida é mesmo uma arte muito difícil e cheia de percalços. Mas o amanhã sempre vem pra trazer a esperança.

*shora emocionado e encerra o post....kilindu Y________Y*
 

sábado, 18 de outubro de 2008

O meu sangue ferve por você

Lewis comemora a pole position: um passo à frente na luta pelo título.
Foto: G1/Reuters

Bom, hoje amanheci com as veias em estado de ebulição. Não, não aderi às drogas injetáveis. O motivo da rosa era outro. Simplesmente escolhi a terceira opção de ontem, dormir como se nada estivesse acontecendo e PERDER o treino oficial que definiu o grid de largada para o Grande Prêmio da China.
O mais dramático é que eu acordei a 20 minutos da season, mas simplesmente dormi de novo. Como esse post não era pra falar de mim, vamos ao que interessa. Lewis Hamilton foi pole, a exemplo do ano passado, com 1.36.303, seguido por Kimi Raikkonen (ponto pra Lígia) e Felipe Massa. Fernando Alonso foi o quarto, Kovalainen o quinto, e o candidato a azarão, Robert Kubica, apenas o décimo primeiro. Vale dizer que Hamilton errou na primeira volta realizada no Q3.
Amigos do blogueiro, uni-vos: vale toque, mensagem, sinal de fumaça, qualquer coisa: NÃO ME DEIXEM PERDER ESTA CORRIDA! A largada promete ser emocionante. Hoje, às 5 horas pro resto do Brasil, e às 4 horas pra nós (será mesmo?). Em todo caso, 3 e 55 da manhã já espero estar devidamente acordado, e, desta vez, de olhos bem abertos. Boa corrida!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Na madrugada a vitrola rolando um blues...

Hamilton fora da pista em 2007: vai ter dèja vù ou o inglês aprendeu a ser campeão?
Foto: G1/ Reuters

Bom, galera da Fórmula 1, amanhã, às três horas da matina, tem Treino Oficial para o Grande Prêmio da China. Como fazer? Dormir mais tarde, acordar mais cedo ou dormir como se nada estivesse para acontecer? Eu vou já pra cama, acordar cedinho...

Lewis já vem dando susto, foi o mais rápido nos treinos livres. Foi pole ano passado, e espera repetir o feito. Só não deseja ser igual em relação aos deslizes da corrida de 2007.

Já Felipe, ao menos em treinos, não tem a seu favor o retrospecto da Ferrari. A escuderia italiana conseguiu apenas uma pole position em cinco edições do GP, a de Rubens Barrichello em 2004.

Em compensação, venceu três vezes, uma com o próprio Rubinho, no mesmo ano em que foi o primeiro do grid, outra com Schumacher, em 2006, e a mais recente com Kimi Raikkonen, na arrancada rumo ao título do ano passado.

Correndo por fora, vem Robert Kubica. Ele não é essa maravilha em treinos, mas demonstra regularidade nas provas, e hoje pode contar com a ansiedade de seus rivais como arma na briga pela pole position.

Bom treino para vocês!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cutucando onça com vara curta

Essa vai pra Fabiana Mürer, mas bem que podia ir pra seleção masculina de futebol...



E finalmente conhecemos Di Maria...

oie, como ván risos

sábado, 2 de agosto de 2008

Notas de um fim de semana

Colin Firth vai atuar no filme "Dorian Gray" - essa me chamou mais atenção por dizer que vai ter Dorian Gray em 2009. Eu adorei o livro (wannabe-cult), e espero que o filme seja uma adaptação à altura. Quem assistiu ao Nárnia acha que o Ben "Caspian" Barnes presta pra fazer o papel de um jovem que, seduzido pelas idéias amorais de um lorde inglês, comete todo tipo de atrocidades e, a cada maldade, vê um seu retrato ficar mais bonito?

Trailer de Harry Potter e o Enigma do Príncipe - precisa dizer mais?

David Lynch está no Brasil, para uma mostra de filmes dele na UFMG. Além disso, nessa turnê o cineasta norte-americano dará uma palestra para funcionários da Globo, mediada por Renato Machado, e lançará um livro. O evento na Globo, além de NÃO PASSAR NEM NA TV FUTURA, é só para ´sculpaê-seletos. Alguém sabe onde encontrar o filme "O Homem Elefante" para alugar, em Teresina?

Essa não é de cinema, mas eu tinha que dizer isso: incrédulos do Brasil, tremei! A PRAÇA É NOSSA ainda consegue ganhar de algum programa na luta pela aldienssia. Ó só.

Pensa que Tio $i$$i gasta $$ com programa ruim? Pior é que gasta...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Fãs da boa música, tremei!

Depois de Marcelo Camelo anunciar o início de sua turnê solo, e Rodrigo Amarante selar a parceria com Fabrizio Moretti, baterista do The Strokes, os hermaníacos agora têm mais uma boa notícia (e presenciam uma baita estratégia de mercado acoplada): a Sony/BMG lança, no próximo dia 29 de agosto, o CD e DVD "Los Hermanos na Fundição Progresso - 09 de Junho de 2007". O DVD traz o show completo (26 músicas) mais 5 extras. UHULLLLL!!!!

Sério, gente, rumores há de que Los Hermanos voltam ano que vem; esse CDVD que eles tão lançando talvez seja mais um indício. Mas acho muito paia esse "recesso por tempo indeterminado" se converter em uma preparação para um "retorno triunfal" (ainda que eu aguarde ansiosamente por isso). Ou parassem de vez ou continuassem aos trancos e barrancos. Espero que eles não me venham com coisas do tipo "foi impossível ficar longe". O tempo vai dizer o que virá.


Em tempo: como eu voltei a não me contentar com uma notícia só por postagem, lá vai mais uma (e essa, certamente, o sapaténho bruno vai ler com litruzylytruz de lágrimas nos olhos): KANYE WEST está confirmado como atração do Tim Festival.

E aí, Afonso, como anda a cotação dos rins no mercado negro?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Viral Gratuito

Num tô ganhando nada, mas só pra dizer (essa notícia deve ser veeelha...): Cinemas Palácio do Riverside já tem um site, pra gente saber o que vai rolar por lá. E hoje, estréia Sex And The City (aquele, das ninfomaníacas quarentonas que já foi notícia há umas três semanas no Brasil, quando estreou por aquelas bandas...). Como nem tudo é perfeito, infelizmente só SESSÕES DUBLADAS, ok?

Veniam asistirnos loog, tiop, cansams de fikr nesa pozssaum, ok?
Foto: businessweek.com


terça-feira, 24 de junho de 2008

Raízes e Tradições

Foto: Professora Caroline

Cena da Dança do Boi, em Piripiri: é preciso conservar as tradições

Confesso que não gosto muito das quadrilhas em festas juninas. Exatamente por isso, resolvi assistir, com todo o rigor crítico que a minha ignorância artística permite, às danças da Quadrilha Junina do Colégio Baurélio Mangabeira de Piripiri, ocorrida em 13 de junho de 2008.

Muito me chamou a atenção a Dança do Boi, cuja coreografia é elaborada pelo professor de dança Wagner Cardoso, e ensaiada pela professora e cantora Francisca Paiva, mais conhecida como "Tia Paiva". Traços Esparsos conversou com ela a respeito desta dança e sobre as festas juninas como um todo:

Traços Esparsos: Como a senhora vê a aceitação do público em relação às festas juninas?

Francisca Paiva: As festas juninas são bem aceitas em Piripiri. Tem sempre um bom público, especialmente a galera jovem, pois os conjuntos que animam as festas geralmente tocam o que agrada à turma, músicas tipo "Beber, Cair e Levantar". Entretanto, não existe preocupação com a beleza e a preservação do folclore, das músicas e das danças nordestinas. Veja a mentalidade: [os jovens] acham [as músicas folclóricas] antigas.

TE: Em uma dança como a que a senhora ensaiou (o Boi), marcada pela tradição, como fazer para introduzir algum elemento novo e de qualidade?

FP: Eu sou uma apaixonada por arte - por todas elas - e pelo folclore nordestino. Todos os anos, faço o possível para acompanhar o "Bumba-Meu-Boi" e me responsabilizar por ele. Pesquiso as músicas e faço um "pout-pourri" [mistura] dos vários ritmos e culturas do Boi do Brasil, e daí apresentamos ao público. Acho que festa junina tem que ter Boi, porque é o símbolo do folclore.

Acho que o elemento novo que deve ser introduzido é o tema: músicas com um bom recado. No Piauí, precisamos de CD´s das coisas, das tradições do Piauí, dos Bois; se existe algo assim, não conheço.

TE: A última música da apresentação, "Primatas", aborda, entre outros, um tema muito debatido atualmente: o desmatamento da Amazônia. Foi algo intencional ou a senhora escolheu essa música por causa da melodia? A senhora acredita ser possível - e mesmo válido - utilizar as manifestações artísticas como instrumento de conscientização política?

FP: Quando vou escolher uma música, escolho um ritmo bem dançante e que seja bom para a coreografia. No caso da música "Primatas", dos bois de Parintins, achei maravilhosa a letra, a melodia, os efeitos, tudo. A música fala da evolução, da criação, dos primatas, do homem primitivo, da descoberta do fogo, da flecha, dos rituais, das guerrras, das danças, das tribos.

Com certeza, acredito que as manifestações artísticas podem ser um "instrumento de conscientização política". Cabe, a quem estiver orientando [essas manifestações], fazer uma releitura do que vai ser mostrado.

Por exemplo: a história do Boi. Conta a lenda que a escrava Catirina, casada com o escravo Pai Francisco, estava grávida, e desejou comer a língua do boi do patrão. Pai Francisco matou o boi, e o patrão descobriu; por isso, o escravo foi preso. O animal ressuscitou depois das orações de um pajé e de rezadeiras. O Boi é festejado para lembrar esse milagre.

Isso faz a gente refletir sobre a fome no Brasil, a pobreza, a exploração dos pobres, e sobre como os pobres devem se organizar para conseguir seus direitos. Conhecer o valor que cada um tem nas organizações da sociedade.

TE: A senhora acha necessário haver algum tipo de mudança na forma como são apresentadas as danças juninas, ou a tradição ainda é capaz de atrair o público?

FP: O povo que não conserva suas tradições culturais é povo sem memória, sem história. Pode-se caprichar na indumentária, na alegoria temática, mas sem sair da tradição das danças: dança do coco, xaxado, quadrilhas, cavalo Piancó, e outras. Tudo que é bem feito o povo gosta. O povo gosta das festas juninas. Cabe a quem está organizando caprichar.

Destaco, aqui em Piripiri, o "Portal do Forró" [evento realizado nos dias 5, 6, 7 e 8 de junho deste ano]: todas as danças merecem parabéns. Todas folclóricas, as músicas no clima de São João do Nordeste. Um luxo nas indumentárias. Às vezes, algumas pessoas acham que as roupas das quadrilhas devem ser todas "esmolambadas". Mas o povo da roça, comumente associado a essas danças, gosta é de linho de xadrez. Nunca de andar remendado.

TE: O que a senhora acha da inserção de ritmos como o calipso, a salsa - ou outros - que, de certo modo, fogem aos estilos comumente apresentados nas festas juninas?

FP: Eu sempre reflito que, se for em um festival de danças, tudo pode, salsa, tango, valsa, samba, e outros. Se a Banda Calypso entrar no clima de São João, com as mazurcas [dança polaca], forrós como "Olha pro céu, meu amor" é bem-vinda! Não gosto é dos forrós do tipo das bandas da moda. Acho estranho e esquisito. Dou nota dez, por exemplo, para o "Mastruz com Leite", que regravou uma seqüência maravilhosa das músicas juninas.