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terça-feira, 1 de junho de 2010

Império em chamas







Sebastian Vettel (à esquerda, inferior) chama Webber de louco após batida (à direita, superior): Louco é quem diz


















A expressão carrancuda de Sebastian Vettel, após o treino de sábado para o GP da Turquia de 2010, denunciava que algo não estava bem em seu fim de semana (errou uma freada que lhe rendeu a terceira posição no grid. Culpou o carro). A performance de seu companheiro de equipe, Mark Webber, irretocável até então, certamente mexeu com a cabeça de Vettel.


Ele, que carrega no histórico de quatro anos e cinquenta corridas de Fórmula 1 uma vitória fantástica em uma equipe média-baixa (a STR), tinha tudo para ser o novo fenômeno da categoria. Talvez pretendesse seguir o caminho de Lewis Hamilton, que, já no primeiro ano, disputou o título mundial e, no segundo ano, levou o campeonato.


Infelizmente, não dispunha do suporte técnico e dos súditos do britânico da McLaren, e teve que tirar leite de pedra dos carros em que andou. Por isso, mereceu grande destaque.


Alguns comentaristas insistem que ele ainda tem muito que aprender. De fato: o erro grosseiro cometido a algumas voltas do fim do Grande Prêmio em Istambul Park não pode ser cometido por quem pretende disputar a temporada de F-1. Ainda mais do jeito que a tabela de classificação anda instável.


Webber se manteve na ponta com 93 pontos, mas se vê ameaçado pelos rivais Jenson Button (88) e Lewis Hamilton (84), o vencedor da corrida. Vettel, antes vice-líder, amarga a quinta posição (78 pontos) como consequência de sua manobra infantil.


As imagens são claras em mostrar que o erro de Webber foi se manter no seu traçado. Sebastian Vettel não quis simplesmente forçar uma ultrapassagem; queria que Webber o deixasse passar, pois o alemão atirou o carro na curva na tentativa de obrigar o companheiro de equipe a reduzir. Má ideia.


O australiano apenas se defendeu, pois o carro de Vettel não estava 100% à frente do seu. Praticamente ileso (fora a avaria no bico, que o obrigou a mais um pit-stop), ainda teve a chance de voltar à corrida e terminar em terceiro. Sebastian não pôde experimentar a mesma sorte: seu RBR ficou bastante avariado, e ele abandonou a prova com gestos de “louco” para Mark Webber. Loucura de quem? Ele já não é mais tão novato na categoria; erro censurável.


Aprendesse com Lewis Hamilton (e logo ele, tido como louco-mor da atual F1) e Jenson Button: voltas após o incidente, os dois travaram uma disputa limpa e emocionante pela primeira posição. Button deu sinais de que iria segurar a ponta depois de excelente manobra. Mas Lewis não se entregou tão fácil assim, e recuperou o lugar que herdou de Webber.


Que o campeonato está embolado já não é mais nenhuma novidade; que Webber perdeu uma grande oportunidade de fazer mais um bom resultado no início do ano que, a exemplo de Button em 2009, pode lhe render o título de 2010, incontestável. A RBR sofreu um leve arranhão na hegemonia da atual temporada. Infelizmente, causado por fogo amigo.


Se esse incidente desembocar em uma crise – como as trocas de acusações entre os dois pilotos anunciam - poderemos assistir à ruína do império, exatamente como ocorreu em 2007, na disputa interna de Hamilton e Fernando Alonso na McLaren. Pilotos excelentes, mas que, pelo desequilíbrio de um, afetaram toda uma escuderia. Na equipe chefiada por Christian Horner, porém, nem vai ser preciso uma denúncia de espionagem no meio do caminho.

domingo, 2 de agosto de 2009

O fim de uma procura

(Essa eu tinha que registrar no blog, no Orkut, onde quer que fosse. Só eu tenho noção do quanto essa busca me deixou inquieto).

Ontem de madrugada, acordei no meio da noite, e não consegui voltar a dormir. Culpa de uma leve indigestão, adquirida no aniversário de uma tia (e tome feijoada!). Zapeando os canais, resolvi parar no Altas Horas, e ouvi esta música de Túlio Dek, "O que se leva da vida":



Precisei dos primeiros quinze segundos de música para apurar o ouvido e perceber que conhecia aqueles acordes de algum lugar. Aumentei o volume. Eu conhecia mesmo! Era de uma daquelas músicas que você sabe que já ouviu naqueles programas estilo "Segredos de Amor", voltando pra casa a bordo de um Rodoviária Circular I, gosta muito, mas não sabe de quem é.

Foi no site de Túlio Dek que tive uma das revelações musicais que mais me perturbavam o juízo: pra mim, é muito chato gostar a lot de uma música, mas ter que esperar o acaso para ouvi-la. Isso acabou. Com você, Tracy Chapman, cantando Fast Car, de 1988!:



Fica a dica: a melhor versão é essa aqui, acústica.

Letra aqui, tradução aqui.

Pra minha surpresa, Tracy Chapman é uma mulher. Já ganhou Grammy e tudo. Essa música que eu postei é muito bonita, mas a mais conhecida dela certamente é Baby Can I Hold You:



Curios@ em saber mais? Acesse a wikipédia e o site oficial de Tracy Chapman.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Leões e Cordeiros

Mark Webber, vencedor do GP da Alemanha: o dia da caça.
Foto: F1 Around

Durante a era Schumacher, a Fórmula 1 deixou de ser um esporte para se transformar em acordo de compadres. O domínio absoluto da Ferrari fez das outras equipes, coadjuvantes, e o único capaz de bater o alemão era seu companheiro de equipe, Rubens Barrichello. Infelizmente, a escuderia italiana nunca deu essa chance a Rubinho. No Grande Prêmio da Alemanha de 2009, em Nürburgring, mudaram alguns elementos, mas a história se repetiu. Para o bem da categoria, ainda existe a RBR para reacender a disputa, a rivalidade tão necessária para qualquer esporte.

Mark Webber venceu a prova de maneira incontestável. O australiano - apelidado ao longo da carreira de "leão de treinos", porque só conseguia se dar bem na classificação para as corridas - demonstrou uma garra surpreendente na Alemanha. Defendeu a primeira posição com agressividade, jogando o carro para cima de Rubinho (Brawn GP), logo na largada - e por isso foi punido com um drive through.

Ainda assim, valeu-se de uma pilotagem sem erros, de um RBR em constante desenvolvimento e de uma boa estratégia de pit stops para reassumir a liderança, alcançando o lugar mais alto do pódio. Irretocável.

Falando em leões, outro que teve uma performance brilhante foi Nico Rosberg, da Williams. O "príncipe da sexta-feira" (chamado assim devido aos bons resultados nos treinos livres de algumas provas na temporada) ganhou 11 posições ao longo do GP, terminando em quarto lugar. Felipe Massa também teve um desempenho admirável, colocando a Ferrari em terceiro, o primeiro pódio dele no ano.

A Brawn GP reuniu elementos suficientes para representar a ruptura com o modelo covarde da Ferrari de se fazer uma estratégia. De equipe quase extinta, com pilotos à beira do esquecimento, a Brawn passou a ser favorita ao título, bem distante dos rivais. Mesmo com a grande vantagem de Jenson Button para Rubinho, ambos tinham carros em iguais condições de brigar pelo campeonato, e logo viraram exemplos de competência e superação.

Porém, a equipe inglesa preferiu repetir as práticas condenáveis da "fase de ouro" da Ferrari - não por acaso, Ross Brawn também era o chefe da equipe italiana: o lobo da vez é Button, que deixou de ser o projeto de campeão simpático, para falar mais do que correr. Valeu-se abertamente da tática de Rubinho durante o treino oficial de sábado - ele esperou para ver como seria o desempenho do brasileiro na terceira parte da classificação - e do "jogo de equipes" de Ross.

Chegou em sexto, com uma atuação bastante inferior às que tem apresentado na temporada. O inglês soma 67 pontos, 21 a mais que o vice-líder, Sebastian Vettel - o alemão, aliás, chegou em segundo, com uma atuação discretíssima. Mas há muito campeonato pela frente.

Cordeiro mesmo, só Rubinho, bem melhor que Jenson nesse final de semana: a cautela o impediu de sair da corrida logo na primeira curva; a Brawn, porém, tratou de colocá-lo onde achava devido, como fiel escudeiro. Um erro durante seu pit stop, os pneus que não atingiram a temperatura ideal, e a troca forjada de posições entre ele e Button terminaram de manchar a participação da equipe em Nürburgring. O brasileiro chegou em sétimo, e caiu para quarto no campeonato.

Um ponto faz toda a diferença ao fim de uma temporada: Räikkonen, em 2007, e Hamilton, em 2008, mostraram isso. O finlandês até foi ajudado por Felipe quando ganhou seu título, mas fez por merecer, assim como Hamilton. Não pegou bem para a Brawn.

A RBR pode não ser o novo padrão de F-1, nem Sebastian Vettel ou Mark Webber exemplos de pilotos humildes - Webber, aliás, já pensa grande. E nem é isso que se espera deles. O que se quer é ver uma disputa honesta, com ambos tendo chances de vencer, e de ofuscar o domínio de uma equipe só. O espectador agradece.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Defeitos de fabricação

Vettel com o dedo cortado após o GP da China: o novo homem que corre sobre a chuva.
Foto: G1/ Getty Images

Pelo menos nos últimos dois anos, o Grande Prêmio da China tem marcado a Fórmula 1 como um dos mais enfadonhos. Em 2007, o abandono de Alonso e Hamilton, ambos da Mclaren - e lutando pelo título - foi o que houve de mais emocionante. Em 2008, as posições se mantiveram praticamente inalteradas, e quem assistiu pela televisão teve de fazer um grande esforço para não cochilar - no ocidente, por exemplo, a prova é exibida entre 2 e 4 horas da manhã. 2009 serviu para confirmar a tese de que o circuito não é mesmo uma grande atração.

A chuva serve para tornar as provas imprevisíveis e mais disputadas. Mas em excesso, pode ser um inconveniente. Por causa dela, as sete voltas iniciais contaram com a presença do safety car, frustrando a expectativa dos fãs que queriam curtir a apreensão da largada. Além disso, os pilotos se esforçaram bastante para não sair da pista escorregadia. Robert Kubica (BMW-Sauber), por exemplo, não conseguiu segurar o carro, provocando um acidente com Jarno Trulli, da Toyota.

Só o desempenho espetacular de Sebastian Vettel fez a corrida valer a pena. O alemão da RBR se mostrou impassível diante do aguaceiro, e guiou seu carro como se estivesse andando em pista seca. É a segunda vez que ele faz isso na breve carreira de 29 GPs - e a segunda vez em que vence.

O mais incrível é que até um piloto do nível de Rubens Barrichello - conhecido por ser um especialista na chuva - cometeu deslizes em asfalto molhado, mas Vettel pareceu nem se importar com esta adversidade. Nasce um novo homem que corre sobre a chuva, e a comparação com o brasileiro Ayrton Senna é inevitável.

Antes do julgamento de 14 de abril - em que a FIA deu parecer favorável ao uso de difusores nos carros da Fórmula 1 - algumas equipes, como Mclaren, Ferrari e BMW-Sauber, e pilotos como o bicampeão Fernando Alonso, reclamaram que a peça desigualava a competição, pois Brawn GP, Toyota e Williams estavam muito superiores ao restante das escuderias, graças ao equipamento. A RBR, que não usa difusor, além de ganhar com Vettel, ficou em segundo lugar com Mark Webber, fechando uma dobradinha histórica.

Jenson Button (Brawn) - que quase era tido como desempregado a poucos dias do início do campeonato - é o líder da competição, com 21 pontos, seis a mais que Rubinho, seu companheiro de equipe - e quase aposentado por alguns. Vettel, terceiro colocado da temporada, com 10 pontos - e ele deixou de ser promessa para figurar entre os grandes nomes do esporte - corre na RBR, antes intermediária, hoje grande na Fórmula 1.

Isso prova que, na atual fase da categoria, não é uma peça que define os rumos de tudo, e ser uma marca de peso já não ajuda tanto; é preciso esforço e competência para vencer.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Garotos, Interrompidos

Pilotos e equipes aguardando o reinício da prova: espetáculo pela metade.
Foto: G1


A chuva, a pouca luz e uma opção mercadológica inconveniente fizeram terminar precocemente uma das melhores corridas da Fórmula 1 de todos os tempos. Clareando: o horário escolhido para o Grande Prêmio da Malásia de 2009 (17h) favoreceu a redes de televisão de boa parte da Europa, mas também é o período no qual mais ocorrem chuvas em Sepang. Além disso, por ser fim de tarde, havia um grande risco de o GP terminar à noite, e o circuito não possui iluminação artificial.

Essa combinação poderia interferir no bom andamento da prova. E deu certo: com 33 voltas - e quase uma hora de paralisação - os comissários decidiram encerrar a segunda etapa do Campeonato 2009 de F-1.

Antes do fim, assistiu-se a um grandioso show: desde as excelentes largadas de Alonso (Renault), Barrichello (Brawn) e Rosberg (Williams) - este último assumiu a liderança já na primeira curva - passando pelo ziguezague do mesmo Alonso com Mark Webber (RBR), ambos alternando posições em uma disputa clássica, e fechando com uma nova ultrapassagem de Vettel (RBR) sobre a antes onipotente Mclaren de Hamilton (veja mini post a respeito).

Tivemos também o abandono instantâneo de Kovalainen (Mclaren), a quebra do apagado Kubica (BMW), e algumas derrapadas de pilotos reaprendendo a dirigir - entre eles o duas vezes mencionado Fernando Alonso, que, além de ter adoecido durante a semana, mostra algum desconforto com a nova estrutura dos carros.

Pouco depois da volta 18, a bela apresentação cedeu lugar à loteria: a previsão de chuva se confirmara. Os pilotos precisaram visitar os boxes com uma incômoda frequência, ora para colocar pneus de chuva forte - o que, no caso de Kimi Raikkönen, por exemplo, foi prejudicial - ora para usar pneus intermediários. O excesso de pit stops, no entanto, não se mostrou determinante para o resultado da prova; o momento de parar é que pesou.

Jenson Button (Brawn), o "vencedor" - nas condições em que a prova terminou - somou quatro paradas, contra apenas uma de Nick Heidfeld (BMW-Sauber), valendo dizer que Heidfeld foi exceção. Timo Glock (Toyota) ficou em terceiro, seguido por seu companheiro Jarno Trulli. Completando a pontuação: Barrichello, Webber, Hamilton e Rosberg.

Um detalhe curioso: como o GP terminou com menos de 75% do total de voltas - isso não ocorria desde 1991 - os pilotos receberam apenas metade dos pontos. Com isso, Button lidera o campeonato com duas vitórias e 15 pontos, tendo Rubinho na vice-liderança, com 10, Jarno Trulli (3°) com 8,5 , Timo Glock com 8, Nick Heidfeld e Fernando Alonso com 4, Rosberg com 3 e Sebastien Buemi (STR) com 2 pontos.

O GP da Malásia foi encerrado antes de apagarem as luzes. Mas deixou uma pequena mostra de quão surpreendente e disputada será a Temporada 2009 da Fórmula 1.

Deu Zebra

Maior Abandonado

Lewis Hamilton sofre as consequências de Ron Dennis ter saído da chefia da Mclaren. O carro está bastante inferior ao de 2008, há duas provas ele larga fora das 10 primeiras posições, e ainda recebe punições pelos deslizes cometidos. Como o "padrinho" faz falta...

De Malas Prontas?

Os atuais incidentes permitiram que setores da imprensa cogitassem a aposentadoria de Lewis. Uma "brincadeira" de 1° de abril colocava o piloto britânico na Brawn Mercedes. Talvez hoje ele queira que esse último fato vire verdade...

Marte Ataca?

Felipe Massa disse que "os carros da Brawn são de outro planeta". Pelo menos Toyota e Williams mostram que poem encarar a disputa com a equipe de Button e Barrichello. Estará a F-1 sendo invadida por alienígenas?

Fiel Escudeiro

Vale lembrar que, não por acaso, Brawn, Toyota e Williams são as três equipes acusadas de usar equipamento irregular - os tais difusores.

Interferências

Se o julgamento de Paris (dia 14 de abril) sobre o uso de difusores for favorável às três equipes mencionadas, é melhor Felipe Massa e a Ferrari perceberem que há pessoas vibrando em outras frequências na F-1. A escuderia italiana, ao subestimar os tempos da primeira rodada de classificações (Q1) para o GP da Malásia - fazendo Massa largar em 16° - parece acreditar que os resultados de 2008 permitem-na esnobar os rivais...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Quem vive de passado

Rubinho comemora a dobradinha com Button: começo novinho em folha.
No mundo dos esportes, é comum alguns competidores assistirem a vídeos de performances dos adversários, para estudarem posturas, estratégias, e adaptarem sua atuação com base na dos outros. No Grande Prêmio da Austrália - o primeiro da temporada 2009 de Fórmula 1 - os pilotos deram a impressão de ter assistido a si mesmos, em busca de inspiração - ou aprendizado.

Desde 2004, a Williams deixou de figurar entre as grandes equipes. A quinta colocação de Nico Rosberg na largada - ele, que desde sua estreia em 2006, é uma promessa não-vingada - atraiu mais uma vez os holofotes para a escuderia britânica. O alemão chegou em sexto, mas parece ter algo para mostrar ainda esse ano - a exemplo de 2008.

No século XXI - e bem antes dele - a Mclaren sempre figurou como uma das grandes forças da Fórmula 1. Surpreendentemente, o novo carro da equipe se mostra mal nascido. Ainda assim, não é um monstro sem jeito. Muito graças a Lewis Hamilton - e sua sorte aliada ao talento. O atual campeão, largando em 18°, provou que 2008 lhe serve de parâmetro: chegou em 4° lugar, e herdou a terceira posição de Jarno Trulli, punido.

Para a Ferrari, lembrar de 2008 serviu para dividir os pilotos: Kimi Raikkönen vencera na mesma Austrália, e Felipe Massa abandonara. Kimi queria resgatar os sucessos; Massa, esquecer o fracasso. Não deu: ambos deixaram de completar a corrida.

Robert Kubica marcou presença na F-1 graças à regularidade e aos bons resultados, não pelo arrojo. Quando decidiu ousar, escolheu o momento errado: a 3 voltas do fim da prova, em terceiro - e bem mais rápido que Sebastian Vettel, o segundo - Kubica tentou uma ultrapassagem de risco. Resultado: Vettel deixou o carro espalhar na curva, e os dois perderam a chance de começar bem na luta pelo título. Mas restam 16 provas.

Para Rubens Barrichello e Jenson Button - da estreante-não-tão-nova Brawn Mercedes - recorrer à história foi bastante proveitoso. Haja estatísticas: 2004, última melhor posição de largada de Rubinho, o mesmo segundo lugar; 1999, última vez em que o brasileiro teve nas mãos um carro branco bom o suficiente para dar espetáculos; 2006, única vitória de Button na F-1, no GP da Hungria.

A Brawn também ganhou com isso: 1954, última vez em que uma equipe estreante - e de motor Mercedes - fez a dobradinha em um GP. Vitória de Button, com Barrichello em segundo - mesmo com péssima largada e problemas ao longo da prova.

A Brown tem 18 pontos, 12 a mais que a Mclaren, a vice-líder. Resultados impensáveis para a F-1 de 2008. Mas, como dissemos, a temporada anterior serviu de parâmetro para alguns. Outros querem redesenhar a história da categoria com tintas diferentes.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Frankenstein Júnior

Sábado assisti no Altas Horas, pela primeira vez, a uma apresentação da banda Nove Mil Anjos. Foi tosco. Não sei que influências aqueles caras têm, mas certamente não são das melhores.

Individualmente, a gente percebe que cada um deles têm uma coisa legal pra mostrar. Champignon, ex-Charlie Brown Jr., é um dos melhores baixistas do Brasil, na minha opinião. Júnior Lima - sim, ele tem existência independente - se mostra um baterista competente e empolgado - mas duvide de uma banda em que o baterista quer aparecer mais do que o restante.

Peri Carpigiani, o vocalista, ex-Fuga-who, dá vergonha alheia com suas performances, mas talvez até segure as pontas. O tal do Peu, ex-Pitty, tinha umas tiradas bacanas como guitarrista da cantora baiana.

Agora, junte todos esses pedaços em Nove Mil Anjos, e o resultado é o monstro que você confere nesses dois vídeos:


Visionário:



Chuva Agora:



Alguém reparou na cara do integrante do Sr. Chinarro, outra banda que tava lá, nesse último vídeo?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Coragem pra conseguir vencer

Veronica Guerin, jornalista irlandesa

Até que ponto estamos dispostos a lutar por aquilo em que acreditamos? Tá, a pergunta é meio complicada para se responder assim, sem preparação (e algo séria de mais para um blog de tosquices). Mas fiquei pensando nisso quando terminei de assistir ao filme O Custo da Coragem, ontem, no Corujão.

O filme, como o título em português sugere, retrata as conseqüências das reportagens da jornalista irlandesa Veronica Guerin (Cate Blanchett). Ela denunciou, em 1994, um esquema de tráfico de drogas no país, que eram consumidas, principalmente, por pessoas até 14 anos de idade (mesmo na ficção, não foi nada legal ver uma criança injetando drogas em si mesma).

Veronica sofreu várias ameaças - que puseram em risco, inclusive, a vida da própria família - foi baleada, espancada, mas não desistiu. Ela sabia da importância, tanto profissional quanto para a sociedade, em desmanchar a quadrilha de traficantes. Conseguiu. Resultado: foi assassinada em 1996 (tá, contei o filme todo. Mas aqui o que conta é a forma como os fatos se desenrolam. Assista, okioki?). Mas atingiu seu objetivo.

Acredito que o mundo de hoje não mais seja propício para o surgimento de novos "mártires". E nem deve ser uma coisa esperada (eu mesmo não tenho coragem de morrer por uma causa. E você?). O que se espera é que não se tenha medo de correr atrás dos sonhos, não importa o quão irrealizáveis eles possam parecer (e muitos o são, de fato).

Seguir um objetivo de vida é um caminho perigoso: se, por um lado, nos faz organizar a vida em prol desta causa, por outro nos faz, em certos momentos, perder a noção. Enveredamos em situações que nos fogem do controle, voamos alto, tudo parece mais difícil. Mas penso que vale a pena.

Quero ser um jornalista insolente. Não daqueles que fazem perguntas apenas para irritar, mas que faça perguntas para buscar aquilo que há de mais profundo e verdadeiro em um fato. Quero ter a capacidade, a boa malícia de não apenas contar histórias como elas acontecem, mas de também saber o que contar, o que e como procurar o "algo a mais", o diferencial das notícias.

Veronica Guerin morreu, e deixou o exemplo. Não quero ser tão extremado. Eu preciso de muita gente, e, creio, muita gente precisa de mim vivo. Vou atrás daquilo em que acredito. Já será uma contribuição e tanto.

Se ainda tiver saco depois de ter chegado até aqui, acompanhe uma das músicas finais do filme, "Fields of Athenry":



(Se preocupe não, leitor habitual, eu volto logo pras atividades de sempre. Vem aí BBB G e Caminho das Índias. Até).

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Marcas do que se é

Bomba! Há matérias pagas no jornalismo piauiense! Tá, isso não tem nada de novo, obedece aos critérios financeiros-mercadológicos de cada empresa, é normal e até aceitável em alguns segmentos. Certo. Mas se valer disso pra deixar o espectador menos informado é mólecagem.

Estava eu assistindo ao Piauí TV Primeira Edição de Sábado, 03 de janeiro de 2009, aí vem uma inocente chamada: "Cinema e locadoras são opções de lazer pras férias em Teresina". Ok. Aí, em determinado ponto, vem a seguinte fala: "NOS CINEMAS DE TERESINA, o filme mais procurado é o argentino (chama espanhol, disse a Rosa) REC, um suspense envolvente. Além dele, estão em cartaz os filmes Calouros em Apuros, Jogos Mortais V e 007 - Quantum of Solace". 

E o que foi aquela fila de gente que eu vi para assistirem a Crepúsculo? Figuração para propaganda? Dizer que "neste cinema de Teresina o filme mais procurado" seria bem mais adequado. Mas não. Como ninguém ia atrás disso mesmo, foi mais fácil vender essa idéia. Só não me senti desinformado porque sabia do que se passava. Outras fontes de informação se fazem necessárias. (nossa, que exagero por causa de uma inocente matéria, não é verdade?). E tenho dito. 2009 já me chega com uma dessas...o ano promete.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Nessa Terra de Gigantes...

Uns ganham títulos...bleargh!




Outros descem...


Outros levam uma sacolada...(Chora, Flamenguista, o sonho acabou! Libertadores, você dançou!)


Outros sonham...



E outros voltam pra ficar e arrebentar!!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Felicidade Instantânea

O sorriso amarelo de Felipe comemorando a vitória: tudo passa.
Foto: G1/AFP

A temporada 2008 de Fórmula 1, mesmo para quem não acompanhou os áureos tempos de Alain Prost, Ayrton Senna e outros, já pode ser considerada uma das mais emocionantes de todos os tempos. Repleta de corridas emocionantes e imprevisíveis. Seu último ato só podia ser como se descreveu: espetacular.

Interlagos teve de tudo: chuva, rodada, pista seca, pista molhada, briga pelo título. Felipe Massa fez a sua parte: largou na frente, fez uma corrida impecável, venceu. O dever estava cumprido. Restava esperar os deslizes de Lewis Hamilton.

O inglês da McLaren, porém, se em 2007 pecou pelo excesso, esse ano se mostrou bastante cauteloso. Nada de sobressaltos, manobras arriscadas, disputas de posição. Como se guiasse em uma eterna última volta, sua performance foi na ponta dos dedos o tempo todo. Viu o título escapar, quando foi ultrapassado por Sebastian Vettel, da STR. Os fantasmas pareciam assombrá-lo novamente.

Porém, como antes dissemos, o piloto a cada dia se assemelhava a Michael Schumacher, inclusive na sorte. Depois de uma estratégia mal elaborada, Timo Glock, de pneus de pista seca em uma pista escorregadia, simplesmente desacelerou o carro a duas curvas do fim da prova. Lewis, que era o sexto colocado, passou o alemão da Toyota, e o título, que já estava nas mãos de Felipe e da torcida brasileira, subitamente retornou às mãos de Hamilton.

Felipe chorou ao saber do resultado. Essa atitude certamente teve um misto de sensação de dever cumprido, decepção e uma pontinha de mágoa. Mágoa com a equipe Ferrari, que, mesmo com a comédia de erros, provou que tinha um carro excelente, a ponto de ver um de seus pilotos brigar pelo título até a última curva do campeonato.

A temporada de emoções passageiras chegou ao final. Lewis foi campeão, mas não é nada além do homem a ser batido em 2009. É imprudência, diante dos talentos da nova geração, alçá-lo ao posto de fenômeno, de ícone. Ele é apenas mais um bom piloto, fabricado para correr.

Felipe Massa, se contar com uma Ferrari mais experiente - Stefano Domenicalli tem muito que aprender - pode figurar entre os que disputarão o título em 2009. Kimi Raikkonen, se voltar a ter pulso de comandar seu próprio carro, também entra nessa briga.

A BMW-Sauber ainda precisa de um piloto de real referência - Kubica ainda está longe disso - para convencer. E Alonso, a ameaça fantasma, mostrou que, mesmo em uma equipe irregular como a Renault - que ele ajudou a dar um salto de qualidade - ainda tem braço para assustar os adversários.



segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Em terra de cego...



O bom de um filme como "Ensaio Sobre a Cegueira" estrear no Piauí com um mês e meio de atraso em relação ao Brasil (sendo que, nesse caso, o Piauí NÃO é considerado Brasil) é que ele vem mais apurado, permitindo aos donos dos cinemas que preparem surpresas temáticas, condizentes com a produção cinematográfica. No meu ingresso, por exemplo, vinha escrito assim:

"ENSAIO SOBRE A SEGUEIRA"

Isso fez meu psicológico agir: fiquei com a audição mais apurada [demolidor mode on/] e você não imagina como pode ser angustiante a espera pelo início de um filme: o cara da frente range o pacote de salgadinhos enquanto se ajeita em sua poltrona; outro abre uma latinha de refrigerante, e o estalido do anel metálico contra o resto da lata ecoa pela sala de projeção.

Pior que isso, começam os sussurros: daquele cara, grande erudito, que leu o livro e diz esperar que a produção seja "fiel à obra"; dos produtores de cinema local, que fazem relatos de suas próximas investidas no campo da Sétima Arte; da menina-cult, que já nem espera que o filme seja tão fiel ao livro, mas que faça uma profunda (re)leitura da primorosa ficção de José Saramago.

Todas essas vozes e sons e sussurros silenciam: começa o filme. Aliás, um trailer. Do filme concorrente, Os Desafinados, que também estreou na sexta, dia 24 de outubro. Você fica naquela: será que eu devia ter ido ver esse?

Que nada. Ensaio Sobre a Cegueira valeu o ingresso bunitinho. Pra não dar uma de estraga-prazeres e contar todos os detalhes, deixo minha impressão sobre o filme através de um pensamento:

Amigo leitor,

Ensaio Sobre a Cegueira me fez pensar que a vida é mesmo uma arte muito difícil e cheia de percalços. Mas o amanhã sempre vem pra trazer a esperança.

*shora emocionado e encerra o post....kilindu Y________Y*
 

domingo, 19 de outubro de 2008

A Hora do Acerto

Hamilton mostra seu troféu "made in China" para Raikkonen: em 2008, saldo positivo para o inglês.
Foto: Motorsport/ Lígia

O Grande Prêmio da China de Fórmula 1 ocorreu em clima de balanço geral da temporada. Embora ainda haja o GP do Brasil, daqui a duas semanas, e a disputa pelo título esteja em aberto, os quatro pilotos que figuraram como aspirantes a campeão mundial já são dignos de análise.

Robert Kubica não teve carro nem a competência necessária para se mostrar um forte candidato ao título, mesmo tendo liderado a temporada por uma prova. A discrição, sua marca em 2008, tanto lhe rendeu excelentes performances quanto atuações apagadas. Ele foi o sexto colocado em Shanghai.

De positivo para Kubica esse ano, só o fato de perceber que a BMW-Sauber já é uma das potências da F-1, e, se melhorar o carro, pode incomodar ainda mais as gigantes Ferrari e Mclaren, ao menos na briga pelo mundial de construtores.

Kimi Raikkonen foi tão prejudicado quanto Felipe Massa pela Ferrari. Mas esse fato, por si só, não justifica o 2008 fraquíssimo do atual campeão. Até o Grande Prêmio da França, podíamos dizer que ele tinha chances reais de alcançar o bicampeonato. Depois disso, ele não demonstrou ânimo suficiente - salvo uma boa corrida aqui, outra acolá - para concorrer com os rivais em pé de igualdade. Que em 2009 ele se reencontre com a vontade de vencer.

Os deslizes da Ferrari com o brasileiro Felipe Massa, a despeito dos ocorridos com Kimi, se deram em momentos cruciais - Cingapura que o diga. Mas o piloto também cometeu suas falhas - basta lembrar da rodada na Malásia e do "balé aquático" em Silverstone. Embora fazendo uma temporada em muito superior à de 2007, Felipe precisa que aconteça um imprevisto com Lewis Hamilton para se sagrar campeão este ano.

Não que Lewis não seja capaz de repetir as trapalhadas do ano passado; mas, em 2008, ele parece menos disposto a deixar o título fugir. Além do que, só pela temporada feita, Hamilton já pode ser considerado um exemplo de superação.

O piloto da Mclaren tinha tudo para fazer um campeonato morno: a frustração de perder um título quase ganho, associado ao escândalo de espionagem envolvendo a equipe britânica, eram mais que o bastante para colocá-lo em posição de coadjuvante.

Porém, ele é abusado - beirando à falta de ética desportiva e à arrogância, frise-se. Mesmo em corridas favoráveis, em tese, à Ferrari - como a China, por exemplo - a Mclaren sempre teve um "algo a mais" para igualar, às vezes até vencer, a disputa.

Não apenas isso: a equipe prateada dispôs de Lewis como trunfo: as boas corridas (Monza é exemplo clássico), as sortes, tudo colaborou. Resultado: apesar de barbeiragens antológicas, como acertar a traseira de Raikkonen no Canadá, ele foi o piloto mais regular dentre aqueles que brigaram pelo título.

O campeonato ainda não acabou, dissemos anteriormente. Mas o passeio de Lewis na China - pole position, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida - mostrou que ele amadureceu, e deseja de fato conquistar o título mundial. Todos foram cautelosos em Shanghai - nada de sobressaltos na largada, nem ao longo da corrida.

No entanto, apenas Lewis tinha a vantagem de 5 pontos - agora 7 - para o segundo colocado da temporada, Felipe Massa. E soube jogar com essa condição favorável. No balanço de 2008, o saldo de Lewis, restando um último ato, é positivo.

sábado, 18 de outubro de 2008

O meu sangue ferve por você

Lewis comemora a pole position: um passo à frente na luta pelo título.
Foto: G1/Reuters

Bom, hoje amanheci com as veias em estado de ebulição. Não, não aderi às drogas injetáveis. O motivo da rosa era outro. Simplesmente escolhi a terceira opção de ontem, dormir como se nada estivesse acontecendo e PERDER o treino oficial que definiu o grid de largada para o Grande Prêmio da China.
O mais dramático é que eu acordei a 20 minutos da season, mas simplesmente dormi de novo. Como esse post não era pra falar de mim, vamos ao que interessa. Lewis Hamilton foi pole, a exemplo do ano passado, com 1.36.303, seguido por Kimi Raikkonen (ponto pra Lígia) e Felipe Massa. Fernando Alonso foi o quarto, Kovalainen o quinto, e o candidato a azarão, Robert Kubica, apenas o décimo primeiro. Vale dizer que Hamilton errou na primeira volta realizada no Q3.
Amigos do blogueiro, uni-vos: vale toque, mensagem, sinal de fumaça, qualquer coisa: NÃO ME DEIXEM PERDER ESTA CORRIDA! A largada promete ser emocionante. Hoje, às 5 horas pro resto do Brasil, e às 4 horas pra nós (será mesmo?). Em todo caso, 3 e 55 da manhã já espero estar devidamente acordado, e, desta vez, de olhos bem abertos. Boa corrida!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Na madrugada a vitrola rolando um blues...

Hamilton fora da pista em 2007: vai ter dèja vù ou o inglês aprendeu a ser campeão?
Foto: G1/ Reuters

Bom, galera da Fórmula 1, amanhã, às três horas da matina, tem Treino Oficial para o Grande Prêmio da China. Como fazer? Dormir mais tarde, acordar mais cedo ou dormir como se nada estivesse para acontecer? Eu vou já pra cama, acordar cedinho...

Lewis já vem dando susto, foi o mais rápido nos treinos livres. Foi pole ano passado, e espera repetir o feito. Só não deseja ser igual em relação aos deslizes da corrida de 2007.

Já Felipe, ao menos em treinos, não tem a seu favor o retrospecto da Ferrari. A escuderia italiana conseguiu apenas uma pole position em cinco edições do GP, a de Rubens Barrichello em 2004.

Em compensação, venceu três vezes, uma com o próprio Rubinho, no mesmo ano em que foi o primeiro do grid, outra com Schumacher, em 2006, e a mais recente com Kimi Raikkonen, na arrancada rumo ao título do ano passado.

Correndo por fora, vem Robert Kubica. Ele não é essa maravilha em treinos, mas demonstra regularidade nas provas, e hoje pode contar com a ansiedade de seus rivais como arma na briga pela pole position.

Bom treino para vocês!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

De olhos bem abertos

Felipe toca em Lewis: eles não estão sozinhos.
Foto: G1/Reuters

O Grande Prêmio do Japão serviu para mostrar que Lewis Hamilton e Felipe Massa, apesar de serem candidatos diretos ao título da temporada 2008, não reinam absolutos na atual Fórmula 1. Diferente de Schumacher quando corria, os dois ainda não integram uma categoria à parte. Há mais 18 competidores.

Lewis largou em primeiro, mas não teve prudência para administrar a situação: ultrapassado por Kimi Raikkonen, ele logo tratou de revidar, mudando o traçado e tirando o finlandês da Ferrari da pista, além de Heikki Kovalainen e Felipe Massa. Com isso, recebeu uma punição.

O inglês parece não se convencer de que nem só de espetáculo se constrói um campeão; é preciso cautela e regularidade. A atitude imprudente, em que pesem os exageros, contribuiu para sustentar os rumores de que ele não aprendeu com os erros de 2007. Hamilton chegou em décimo segundo lugar.

Felipe já estava com a corrida prejudicada ao largar em quinto. Essa condição se agravou quando, ao dividir perigosamente uma curva com Lewis Hamilton, ele tocou no carro do piloto da Mclaren, e este rodou. Massa recebeu um drive through de punição, e teve de correr bastante para conseguir um oitavo lugar - que virou sétimo após Sebastian Bourdais, da STR, perder 25 segundos de diferença para os outros corredores. Ele foi penalizado porque, ao sair dos boxes, tocou em Felipe Massa.

A vitória de Fernando Alonso - a segunda consecutiva este ano - ajudou a diminuir o suposto protagonismo de Lewis e Felipe. Acrescente-se a isso o segundo lugar de Kubica - que, a exemplo do campeão de 2007, Raikkonen, espreita os adversários, pois está a doze pontos de Lewis, com 84, e a sete de Felipe, com 79 - e a excelente performance de Nelsinho, o quarto. Kimi chegou em terceiro, e graças a ele a Ferrari retomou com folga a liderança do mundial de construtores.

A disputa pelo título permanece indefinida. Independente de quem vença, porém, o campeão de 2008 já sabe: em 2009, não terá vida fácil. Lewis dispõe de duas corridas para não repetir 2007; Felipe, para se recuperar. Kubica, para esperar novos tropeços dos rivais.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ESPECIAL GP DE CINGAPURA - PARTE 1/3: O Tigre e os Dragões

Felipe Massa em mais um erro da Ferrari: a "cauda" atrapalhou.
Foto: Abril.com

Tomara que chova. Não, não, melhor não chover. Que tenha safety car. Que não tenha. Um piloto de Fórmula 1, para se tornar campeão, não pode esperar apenas pelos fatores externos. Ele depende, e muito, de si próprio. Tomara que minha equipe me ajude. Disso, felizmente ou não, todo corredor precisa. Para a decepção de Felipe Massa, a Ferrari - ó, surpresa - foi, mais uma vez, incapaz de lhe prestar apoio efetivo.

Na terceira pole no terceiro GP de rua disputado este ano - em Cingapura, circuito fantástico (veja fotos na parte 3/3, abaixo) - o brasileiro tinha tudo para dar um passeio, e curtir a paisagem. Mal sabia ele do buraco negro que o aguardava.

Lewis Hamilton, largando em segundo, nem oferecia perigo à Felipe - raras vezes, aliás, os dois se enfrentaram diretamente este ano. A história parecia se repetir. Mas não como em Valência, por exemplo. Ainda assim, a batida de Nelsinho Piquet deu um tom de déja vù à corrida.

Com o safety car na pista, naturalmente os pilotos se encaminharam aos pit-stops - alguns de forma irregular, como Kubica, da BMW-Sauber, e Rosberg, da Williams, ambos devidamente punidos. Estava aí uma excelente chance de Felipe também parar e disparar na liderança da prova. Não deu.

O torcedor ufanista certamente nem se importou com o vôo do mecânico da Ferrari, que tentava puxar a mangueira de combustível do carro de Massa. Mais lamentou a falta de sorte do brasileiro, qua arrastou a peça como uma cauda até a saída dos boxes, em outro erro gigantesco da equipe italiana. O mecânico passa bem.

Torcer pelos erros dos outros, como se justificassem os próprios, pode até aliviar a consciência. Mas raramente dá resultado. Lewis, em mais uma boa performance, conseguiu chegar em terceiro, posição suficiente para se tranqüilizar - ainda que lembrando de 2007 - na liderança do campeonato, agora com 84 pontos, sete a mais que Felipe; o brasileiro chegou em décimo terceiro.

Para a Ferrari, negócios são negócios, o show tem que continuar. Era preciso acreditar em Kimi Raikkonen para não perder a liderança do mundial de construtores. Nem isso adiantou. O finlandês atirou às paredes de Cingapura a chance de ainda mostrar serviço nesta temporada. Esperamos que essa fase dele não se prolongue por muito mais tempo.

Restam somente mais três batalhas. No primeiro dos confrontos decisivos, o dragão escarlate foi brutalmente golpeado. Pelo próprio fogo amigo.

PARTE 2/3: A Ameaça Fantasma Contra-Ataca


Alonso, respirando os ares da vitória: ele ainda quer mais.
Foto: Gazeta Press

Dos anos 1990 para cá, poucos pilotos de Fórmula 1 conseguem sair de uma equipe de ponta para uma escuderia menor sem comprometer o próprio rendimento. O campeão Jacques Villeneuve só conseguiu a antipatia dos outros pilotos: ao sair também da Williams e ir para a estreante BAR, hoje Honda, nada fez além de ganhar a alcunha de "chicane ambulante" (alguém difícil de ser ultrapassado).

Já David Coulthard, com os títulos de "vovô" - dividido com Rubens Barrichello - e "playboy gente-boa", depois de Mclaren e Williams, é só uma peça figurativa à beira da aposentadoria. Mark Webber desperdiçou a chance de ouro depois da fraca passagem pela - adivinhem - Williams, e agora é mais um "leão de treino" da F-1. Com a vitória em Cingapura, Fernando Alonso mostra que ainda não quer se juntar a esse grupo.

A Renault de 2008 já não tem a qualidade e o rendimento que levaram o espanhol das Astúrias ao bicampeonato em 2005 e 2006 - em cima do lendário Michael Schumacher, frise-se isso. Com a saída dos pneus Michelin - o carro era projetado quase que exclusivamente em cima deles - e do controle de tração - um dos responsáveis pelas famosas "superlargadas" da equipe francesa - a escuderia ficou relegada a segundo plano. Salvo uma corrida boa aqui, outra acolá, hoje enfrenta uma fase ruim.

Mesmo assim, há finais de semana em que tudo parece conspirar a favor do talento. Definido por Alonso como "o melhor carro que recebi este ano", o Renault dele, nos treinos livres de sexta-feira, estava entre os mais rápidos.

O destino resolveu incrementar a consagração: na segunda parte do treino oficial de sábado, o carro de Alonso simplesmente parou, deixando-o na décimo quinto lugar.

Em que pesem os erros e infortúnios de seus adversários, podemos dizer que Alonso correu como há muito não fazia: arrojado quando teve que ser, cerebral quando precisou diminuir o ritmo, eufórico quando pôde comemorar. Ao sair do seu Renault, subiu no carro e bateu no peito, como se dissesse "Eu sou Fernando Alonso, bicampeão mundial de Fórmula 1, e ainda não desisti!".

Esta foi sua 20ª vitória, e 50° pódio. Números modestos diante de 800, o total de Grandes Prêmios de Fórmula 1 disputados até aqui. Mas são estatísticas que, diante da atual geração de pilotos, merecem respeito. E Fernando Alonso - que, com uma palavra, é capaz de promover a dança das cadeiras na F-1 - ainda parece querer mais.

PARTE 3/3: O novo palácio do automobilismo

O Grande Prêmio de Cingapura nasce clássico. O belíssimo design apresentado dentro e fora do circuito, a exuberância de cores e a imponência das construções fazem dessa prova um marco da Fórmula 1 - além de ser a primeira corrida noturna da história da categoria. Vejam algumas fotos:

"O palácio de Lara Croft"

"A Ponte da Esplanada"

"A gigante de Cingapura"

"A ponte do campo suspenso"

"Ponte Anderson"

Arranha-céus de Cingapura

Heikki Kovalainen e uma torre impressionante ao fundo

Primeira Curva


Não reproduzi metade da real beleza, mas para mais fotos, acesse Cingapore Shots.