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"Você sabe o que eu quero dizer, não tá escrito nos outdoors. Por mais que a gente grite, o silêncio é sempre maior" (Engenheiros do Hawaii)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Nos Tempos do Macacal - Parte 2

Teresina já foi cidade de interior , como qualquer outra. E nem foi num tempo tão, tão distante. O cidadão que me falou ontem acredita que "a maior mudança de Teresina ocorreu de uns 20 anos pra cá. Aqui era um mato, interiorzão mesmo. Eu me lembro do tempo do Macacal..."

Ao que outro interrompeu: "Hhuahuahauahauhaauhauhaauhauh! Isso ainda hoje é motivo de briga! Você sabe onde fica o Macacal?"

Não, respondi.

O cidadão continuou:"O Macacal é onde hoje se chama Bairro São João. Meu amigo, até os mais novos, que não eram desse tempo, se você chamar o São João de Macacal, vão querer lhe dar uma pisa! Olhe, no meu tempo, a gente ia prumas festas lá, era bom demais! Eu tinha duas bicicletas, uma pra ir pro trabalho, outra pra ir pras festas.

Lá foi o primeiro lugar aqui em Teresina que eu vi ter aqueles negócios de enganchar a bicicleta [aqueles, que têm o formato da roda, você engancha a bicicleta e coloca o cadeado, entendeu? Nem eu! Só vendo pra saber.]. Aí nós se arrumava, marcava com umas meninas, e íamos pra lá. Agora, pense numas mulheres zangadas! Se a gente tava com elas e saía de perto, e demorava a voltar, elas iam lá nas bicicletas, com um canivete, e furavam os pneus das bicicletas. hahauahuaauhauahauhauhaauhauhauh!"

Depois eu falo mais das peripécias desse indivíduo...


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Nos tempos do Macacal - Parte 1

Albertão em 1973

Lembram daquilo que eu disse, que sou um diário descartável, que onde eu ando as pessoas vêm me falar da vida delas? Pois é, e eu, de mané, não pego o nome delas pra colocar no post sobre. Mas tudo bem. Meu "entrevistado" de hoje disse que era jogador de futebol aqui em Teresina nos anos 1970. Olhem a primeira parte do que ele me disse:

[Questionado por outro "diário ambulante" se era jogador de futebol]: "Como você sabe? Só pela batida da mão? [ele batia as mãos na mesa ao ritmo de uma música que tocava, uma marchinha de carnaval] Pois é, fui jogador aqui. Só parei porque meu joelho não agüentou. Fui jogador do tempo que futebol não dava dinheiro. Sim, porque hoje futebol é uma coisa muito doida, nego aí ganha dinheiro a balde.

Mas não aqui no Piauí, interrompi.

Retrucou: "Não, mas eu falo é de Sul e Sudeste. Lá, sim, tem dinheiro pra eles de mais. Futebol não é ilusão, futebol é dinheiro. Olha, no meu tempo, eu jogava no Fluminense [de Teresina], e eles queriam me pagar com o que hoje seria mais ou menos uns trezentos reais. Mas eu tinha que trabalhar como marchante, sendo estivador num comércio, porque era esse comércio que era dono do time. Lá eu carregava sacos e mais sacos o dia todo na cabeça, e jogava de graça pelo Fluminense no fim do dia.".

Mais à frente: "Aqui já teve muito nego bom de bola. Os times não faziam feio. Tinha Fluminense, Botafogo, Tiradentes. Esse Tiradentes já jogou pau a pau com os times do Sul e do Sudeste! Internacional e Tiradentes no Beira-Rio? 2 X 1 pro Inter, mas ô jogo roubado! Tiradentes e Vasco em São Januário? 3 X 1 pra nós [não se sabe quando foi isso, mas...]! O Corinthians veio pra cá? Perdeu também [ele só omitiu o fato de que o Corinthians deu de 10 X 1 no jogo de volta em São Paulo]! O nego Pelé, quando chamaram o Santos pra vir pra cá, não quis descer do avião. O Alberto Silva só fez mandar voltar o time todo! 'Se o Pelé não jogar, ninguém joga'!"

"Agora hoje? O Flamengo vai lá pra Copa São Paulo, só pra pegar taca! Porque não tem quem invista! Esse Elizeu aí mesmo, do River, agora que é deputado podia fazer alguma coisa pelos times daqui, será que faz?"

Continua... Na parte 2, eu falo do Macacal.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Marcas do que se é

Bomba! Há matérias pagas no jornalismo piauiense! Tá, isso não tem nada de novo, obedece aos critérios financeiros-mercadológicos de cada empresa, é normal e até aceitável em alguns segmentos. Certo. Mas se valer disso pra deixar o espectador menos informado é mólecagem.

Estava eu assistindo ao Piauí TV Primeira Edição de Sábado, 03 de janeiro de 2009, aí vem uma inocente chamada: "Cinema e locadoras são opções de lazer pras férias em Teresina". Ok. Aí, em determinado ponto, vem a seguinte fala: "NOS CINEMAS DE TERESINA, o filme mais procurado é o argentino (chama espanhol, disse a Rosa) REC, um suspense envolvente. Além dele, estão em cartaz os filmes Calouros em Apuros, Jogos Mortais V e 007 - Quantum of Solace". 

E o que foi aquela fila de gente que eu vi para assistirem a Crepúsculo? Figuração para propaganda? Dizer que "neste cinema de Teresina o filme mais procurado" seria bem mais adequado. Mas não. Como ninguém ia atrás disso mesmo, foi mais fácil vender essa idéia. Só não me senti desinformado porque sabia do que se passava. Outras fontes de informação se fazem necessárias. (nossa, que exagero por causa de uma inocente matéria, não é verdade?). E tenho dito. 2009 já me chega com uma dessas...o ano promete.